quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pra doer menos.

Minha dor se sabe. Sai antes de ser enxerida, acaba na poesia do meu inverno. Depois dela vem a primavera. A minha e de mais ninguém.
(continua...)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os nossos mistérios.

Ele é, e sempre foi um mistério pra mim, desde os óculos e a bateria imaginária as sete da manhã, até a amargura tão profunda que dói até, e principalmente nos outros. Daquele sorriso, até a prolixidade triste daquela noite, dos olhos doídos até as mãos carinhosas. Nunca sei se ele viveu cinco ou quinhentos anos, se ele sabe de tudo ou não sabe de nada. Isso confundiu minhas 4 pessoas de Pessoa. Será que ele volta? Uma pergunta melhor, será que eu volto? Escorri lentamente pelas mãos bonitas e frias, derreti dos olhos doídos até derramar em mim e na minha dor e gritar ela pro mundo e abafar com coisas banais. Tem que doer! Não aprendi até hoje?! Não. Meu amor é bobo, é fraco. Cogita nascer em outro canto, vai ser mais saudável, vai ser mais feliz, vai ser mais suave, mais suave que essa vida toda. Mas ela ainda espera aquela mão fria, bonita e tão familiar se estender por livre e espontânea vontade e agarrar com a mesma força de antes, acompanhado daquele abraço que eu peço com os olhos há tanto.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O problema deles.

Concluí que o problema dos homens é uma amnésia aguda e irreparável. O que acontece com eles que eles esquecem tudo que disseram no começo do namoro? Será que eles batem a cabeça em algum lugar? Será que eles caem durante o banho, andando na rua? Será que simplesmente um pedaço do cérebro pára de funcionar?
Não consigo entender realmente o que acontece. Onde vão parar os 'linda', 'minha gostosa', 'bom dia meu amor', 'boa noite, querida', 'quero casar com você' ???
Depois de árdua pesquisa, e diferentes respostas do tipo "eles só fazem isso pra conquistar, depois esquecem mesmo" ou "eu acho que o cérebro deles desintegra", concluí que eles realmente depois que o namoro ou casamento - coisas que eles acham que não precisam ser mantidas, porque pra quê trabalho não é mesmo? Ela já está no papo mesmo. - estão estáveis, eles sofrem de uma doença não tão rara em seres do sexo masculino, amnésia aguda e irreparável. Não lembram, não falam, não elogiam. Esquecem. Nem adianta colocar aquela blusa de renda que ele te achava linda quando a colocava, quanto mais curta a saia, menor o interesse, só se outro homem passar a mão na sua bunda, aí ele pode - leia de novo, pode! - se importar.
Então, meninas, quando sua mãe diz "se ame, se adore, se ache linda", siga o conselho dela, porque se depender de um elogio deles, você infelizmente vai se decepcionar, vai chorar, vai ficar deprimida, e com o dinheiro do Rivotril, compre uma bota nova.
Meninos leitores. Nós nos decepcionamos com vocês em algum momento da relação, portanto, não se assustem se de uma hora pra outra comprarmos roupas novas, esquecermos de vocês de um modo considerável e quisermos sair pro mundo. Vocês só tem duas alternativas: ou elogiam, ou a bota nova vai estrear na bunda de vocês.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O que ficou pelo caminho.

Tentei me segurar em algum lugar, e na falta de um, segurei em mim mesma, e então me perdi dele e ele se perdeu de mim. As bocas inquietas, os olhos fixos numa tarde qualquer, a mão aflita segurando tão forte que possa ter certeza que a mão do outro não vai fugir. Não sei em qual parte da história se perderam, não sei em qual 'deixa pra lá' ficaram, ou em qual olhar de reprovação ficaram presos.
Me sentir sozinha não fazia parte do plano, achar um carinho anormal é daquele plano velho, torcer por um sorriso sincero e por dias bons já foi pensado, vivido e desvivido. Me quero de volta, quero a doçura dele envolvendo a minha paz outra vez. Acho que esquecemos o azul perdido no caminho. Eu quero voltar para pegá-lo, preciso voltar. Se for pra ser assim, não quero mais ser adulta, não quero mais pensar. Me mudo pra longe e me dou bem com o mar, me mudo pra longe e me mudo das pessoas, e as pessoas se mudam de mim.
Preciso saber em que caixa as palavras bonitas foram guardadas, em que pote os suspiros estão, embaixo de qual cama os sorrisos ficaram. Não gosto de perder as coisas, muito menos me perder de mim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Torturas graveolísticas.

quando eu ouço as canções que eu fiz pra você
o tempo vem dizer
o que o tempo deve ser
o espaço em que agora o meu passo chegar
vai dizer:
- amanhã já é outro lugar

eu juro que é melhor enfim
eu juro que é melhor assim

eu já não ligo mais para você
hoje não canto
não falo, não saio, não durmo bem.
os tênues fios que me ligam a você estão hoje em prantos
e no entanto arriscamos tanto nos envolver

desligo você, nus deslizamos
pra que te esquecer
se o amor é tanto?
existo em você
por louco engano.

sábado, 5 de junho de 2010

Ela e os serás.

Ela se sente com 50 anos, a mulher rejeitada pelo marido que gosta das bonitinhas, novinhas, que combinam a calcinha (quando usam) com a cor do vestido. Ela sente que as outras são mais interessantes que ela, e devem ser mesmo, porque as melhores palavras e sorrisos são delas. Acabou o doce de leite.
Concluiu naquela terça feira que de fato as outras são melhores, e que ela é dispensável. Tão dispensável que seu coração foi deixado por ele, em meio a elogios a calcinhas e reclamações da vida a dois.
Será que ele tem os mesmos apagões de personalidade como ela? Daqueles em que atitudes são tomadas como se estivesse dormindo, ou em algum tipo de transe?! Não é possível, as pessoas são más assim, ou ela que é inocente demais? Ela deveria fazer o mesmo, pra dar o troco? Não, não é do feitio dela, é pequeno demais, ela acha essas atitudes dele pequenas demais, torce pra que não tenha asco algum dia. Mas será que já não tem? Será que já não ficou amarga demais? Será que já não ficou triste demais? Será que está acontecendo tudo de novo?
Ontem se perguntou se é imatura demais, se é boba pra vida, se não sabe lidar com as pessoas, se elas são ruins assim mesmo, se ela pode confiar neles. Viu que é boba de confiar assim nos outros, que todo mundo mente o que varia é só assunto (as vezes nem isso).
Ela não se acha acima de todos, não acha que tem razão o tempo todo, muito pelo contrário, acha que está sempre errada em alguma coisa, força do hábito, sabe como é.
Acabou criando em dias a carapaça que deveria ter criado em anos, aquela que a protege das coisas ruins da vida, que não a deixa sofrer por algumas coisas, mas ela ainda não está muito dura. E por esse motivo algumas lágrimas passam e ela ainda tem dúvidas se é melhor viver assim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cuspindo o veneno. E aprendendo a andar sozinha.

Começando com A pergunta: Porque as mulheres gostam de sofrer?
Não é só uma pergunta, só mais uma delas, é simplesmente A pergunta, que norteia nossos rolos, namoros, casamentos e quem sabe divórcios, términos e noites bem choradas.
Nós, mulheres, gostamos de sofrer, sentimos prazer em descobrir uma coisa, qualquer coisa da ex namorada, do ex rolo, da ex mulher. É uma delícia, mas completamente torturante procurarmos um vestígio da vida dele sem a gente, sentimos que não é justo, que deveríamos estar lá, porque esse momento não poderia ter acontecido sem você, ou simplesmente "quem é essa piranha do seu lado?". Sim, minha cabeça arde, meu coração palpita, o ódio se mistura com indignação de descobrir que ele também chamava a outra de 'linda' e que você, é só mais uma que se encaixa nele. Mas nós temos a péssima mania de nos acharmos únicas, insubstituíveis, as mais amadas do mundo, e o que entala na nossa garganta é descobrir que não existe príncipe e que ninguém vem buscar a gente de cavalo branco. Se não formos, nós mesmas, arrear o cavalo e galopar, ninguém o fará por nós.
As mulheres podem ter ganhado indepêndencia financeira, podem ter dois empregos, votar, usar calças, mas o que nunca vamos nos libertar é dessa mania infeliz de sofrer por livre e espontânea vontade. Infeliz porque nos faz infeliz, porque nos puxa pra um passado que nem nosso foi, que nem temos a obrigação de sofrer por ele.
Descobri que se eu não sorrir, se eu não viver, ninguém o fará por mim. Ficar sofrendo pelo que nem é da minha jurisdição não tá rolando de acontecer.
Só falta cuspir o veneno entalado na minha garganta, começar a gostar das partes boas, e parar de esperar qual será o assunto da próxima DR.
Só descobrindo que posso controlar o que penso, e que posso andar sozinha, sem muletas.
E pra terminar uma frase sábia, de alguém não menos do que isso: "Se não deu querida, sem sofrer!Feliz!"