domingo, 29 de abril de 2012

ode a mim.

descobri dia desses que aprendi andar correndo, fruto de benzedeira.
o machado saía fogo de lá e de cá e no meio tudo se inflamava, como sempre. eu adulta me vi criança. nunca mudei.
só corro quando o machado sai fogo.

em exatamente um mês, escrevo em páginas de agosto o desgosto que me tortura nessa ressaca eterna do que bebi rápido demais. aos trancos desse calor, essa rotina clara demais pra quem hoje prefere o escuro. me acho e vejo todos eles e suas rugas, me recuso a ver a forma que adquiri. me saboto, cogito ajuda e desacredito. sou mulher demais pra dispensar alguma explicação. não ouço, minha cabeça é um mundo. falo sem saber, dissolvo minha inteligência em toda essa aspereza escura que cultivo numa falta de opção. me obrigo a lembrar que nada posso dar, porque não há nada a transbordar.
sou indiferente a mim, me ignoro e desconheço por opção o peso da vida que me parte a cara e entrega a frustração antes da hora.
mantenho-me suspensa no ar.

quarta-feira, 28 de março de 2012

sem tantos fantasmas assim, minha carne fagocita minhas palavras.
masca
engole
e não cospe.
vomita ralo, se limpa e se cala.

até breve.


terça-feira, 27 de março de 2012

nessa alma livre que me assola como um furacão só quero o que me prenda, me consuma e me ilumine, nessa sina absurdamente humana que me torno quando amo.

não posso amar sozinha, não quero.
não quero sofrer sozinha, não posso.
nesse mar que nunca chega, nessa vontade afogada nele e no seu peito tão grande como a minha saudade, eu não posso esperar mais.

me leva logo
porque não tenho outra ideia melhor.

quarta-feira, 21 de março de 2012

soprada a saudade de ventos além-mar, o coração cantou as noites divididas.
apertou a distância, a brasa queimou a barra do meu vestido, as pupilas se desenharam involuntariamente nesse prenúncio de tragédia rotineira.
o gosto do vinho barato molhou minha boca, me fez lembrar do pavor das noites sem você, me fez amar meu risco negro de Miró, me fez praticar a paciência, ensinada a pontapés.
aprendi antes de você o benefício e a dureza do silêncio.
cortante pra quem cala.
desaprendi a te escrever, a te arder.
me calo, me engulo e espero.

segunda-feira, 19 de março de 2012

e tudo se resume em impulso
em saudade invicta.
eu, cada vez mais forte de cá.
de você não sei.
sei do que te abriga, e ele sangra de fortidão.
sem água, dessa vez enxergo melhor.

me vôo.
reconsidero meus açúcares.


quarta-feira, 14 de março de 2012

afirmo o amor. 
agradeço o impulso
amadureço a sozinhez
aceno sorrindo
volto depressa.