terça-feira, 5 de abril de 2011

Aquele sobre os rascunhos, Chico e eu.

Bom, pela primeira vez resolvi ler meus rascunhos. Sempre tive problemas com rascunhos, reflexões e dores velhas me fazem ler alguém de quem eu não gostei, por isso me escrevi. Ignorei meus amigos, minha família, minha analista e minha consciência no meio desses rascunhos angustiados em que as palavras não se completam, as pessoas não existem, é uma iminência de desespero, de tocar fogo nas roupas ou de tomar um porre, como diria Vani. Esqueci do que fazia minha vida bonita, perdi um pedaço de mim pelo caminho e não posso voltar pra buscar, e agora? Posso ter outro pedaço bonito? Nos piores momentos daqueles de olhos de vidro e meias trocadas, no domingo segurando no portão e me perguntando 'porque a faculdade tá fechada hoje?', o que me mantinha respirando era o sopro de reinvenção que por algum motivo não saiu voando de mim. Um copo vazio está cheio de ar, aprendi com Chico. Não quero mais ler meus rascunhos, a 'caixa de sonhos' física está no fundo do armário daquela casa empoeirada que já não é mais minha, o que está lá dentro já foi meu, aprendi a levar só o que eu posso carregar, só posso dar se me transborda. Aprendi comigo.

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