domingo, 10 de abril de 2011

Aquele que eu precisava escrever.

Fechar os olhos e me sentir tão grande como nunca poderia imaginar. A minha dor se foi, a minha paixão se desfez no caminho que você mesmo percorreu, meus planos de vida colorida não se dissiparam, só não lhe cabem mais, minhas noites não te encaixam, minha coxas não te envolvem, minha respiração não te ofega, meu sono não te acalma, minhas palavras não te dizem, meu abraço não te afaga, minhas mãos não te envolvem, meu grito não te comove. Eu não grito mais, hoje só susssurro o resto daquela dor surrada no fundo do coração. Não te envolvo, numa vida que não existe, que você não vê, que não vemos. Não existe. Somos nós, uma lembrança de amor dilacerante e uma esperança vazia. Vivamos nossas vidas, azuis como devem ser.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aquele sobre os rascunhos, Chico e eu.

Bom, pela primeira vez resolvi ler meus rascunhos. Sempre tive problemas com rascunhos, reflexões e dores velhas me fazem ler alguém de quem eu não gostei, por isso me escrevi. Ignorei meus amigos, minha família, minha analista e minha consciência no meio desses rascunhos angustiados em que as palavras não se completam, as pessoas não existem, é uma iminência de desespero, de tocar fogo nas roupas ou de tomar um porre, como diria Vani. Esqueci do que fazia minha vida bonita, perdi um pedaço de mim pelo caminho e não posso voltar pra buscar, e agora? Posso ter outro pedaço bonito? Nos piores momentos daqueles de olhos de vidro e meias trocadas, no domingo segurando no portão e me perguntando 'porque a faculdade tá fechada hoje?', o que me mantinha respirando era o sopro de reinvenção que por algum motivo não saiu voando de mim. Um copo vazio está cheio de ar, aprendi com Chico. Não quero mais ler meus rascunhos, a 'caixa de sonhos' física está no fundo do armário daquela casa empoeirada que já não é mais minha, o que está lá dentro já foi meu, aprendi a levar só o que eu posso carregar, só posso dar se me transborda. Aprendi comigo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobre vinhos e havaianas

Minha responsabilidade sempre confortou minha culpa. Ir pra não ter que pensar como poderia ter sido, estudar pra não pensar na possibilidade de prova especial, sentir pra não me arrepender de desperdiçar. Ser responsável é um jeito de não me culpar pelas desgraças do dia a dia, pelos erros que as vezes destroem a rotina e a minha cabeça. Cansei. Quero o que me faz bem, o que não me leva a culpa, ao desconforto, ao sentimento de ilegalidade. Quero as minhas havaianas azul-piscina, meu short rasgado, minha esperança de volta, minha paz no lugar de onde ela não deveria ter saído, meus sábados de manhã, meu prazer em amar o que faço, meus vinhos no bico e as gargalhadas dos meus amigos. Sinto que de tão leve, minha leveza voou de mim, deixando minha delicadeza como um tapa de luva, para que eu não me esquecesse de quem sempre fui. Saro do que mais me doeu, hoje elas entendem o quanto dói e não me apontam, nem dizem que vai passar, hoje eu digo que vai passar, depois de dias esperando a hora de dormir, eu espero a hora de acordar. A leveza toca meu jardim aos poucos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sobre céus e covardia.

Covardia foi a palavra que me assustou essa tarde. Será que estou sendo covarde? Por não falar o que me incomoda, por não escolher o que me agrada, por não conseguir dizer 'não'? Sempre odiei essa palavra, sempre odiei covardes, talvez porque era cheia de mim e escolhia sem pensar muito, as outras opções simplesmente não existiam. Sinto que às vezes derreto, em mim, sinto que escorro até terminar numa letargia insuportável. Não tenho mais voz, meus olhares são lentos, minhas mãos infantis, minhas pernas escapam, o coração apertado e descompassado e uma cabeça com vontade própria, mandando em mim. Muitas vezes acho que o que chamo de destruição foi apenas uma desconstrução, aprendo a ler todos os dias, descubro como é gostar de tomar banho, me surpreendo com meus passos, mexo os braços e entendo que eles servem pro equilíbrio. Já sei como é não saber que existo, agora estou aprendendo a respirar, e no meio disso? Deve ter sido sonho. Não precisava acordar, vida é pra viver sem medo. Medo não é humano, na verdade é humano demais pra quem nunca quis descer do céu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre janelas e decisões.

Hoje pensei em faltas. Minha dor me faz falta, de alguma forma ela preenchia meus dias de intensidade, triste, mas intensidade. Pra quem tinha felicidade, qualquer coisa serve quando se perde ela pelo caminho. Hoje, aqueles dias que me pareceram tão vazios se encheram de algo que não sei explicar, e senti falta. Depois de chorar tanto, reclamar mais ainda, sentir falta da dor é incompreensível não? Pois é. Não sei se fiz a escolha certa, se aguento um não-sorriso, se pulo de felicidade ou da janela diante de esperanças de qualquer natureza, é, não sei. Nunca gostei de perder o controle da minha vida, quando se é triste o controle é mais óbvio. Ta aí, sou óbvia demais pra acreditar em destino, mas quando não se tem certeza de dor, nem de alegria, o destino parece uma boa opção. Ou a única delas. E sobre meu vagar entre dor e alegria, vai bem, obrigada.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

My stairway to heaven

Aos 5 minutos e 33 segundos, entro no pôr do sol Tamboril, caminho branca e vento no chão raiz. Continuo caminhando nas minhas risadas, no meu conforto infantil e alegre de vô. Só quem arde ao coração, o sol morrendo suave, pra entrar a felicidade. Aos 6:03 os olhares se cruzam tão sutil e espontaneamente apaixonados como da primeira vez, como nunca deveriam deixar de ser. Aos 6:13 a certeza de sorrir certo. E subo. Na minha escada pro paraíso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O quarto mágico

Há muito queria escrever sobre ele, e como é incrível o que ele faz em mim. Ainda me lembro do primeiro dia em que fui lá, e de como era cheio de tudo que eu queria. Mágico porque me faz esquecer da vida, às vezes dolorida, corrida, ralada, esquecer o hábito, as manias, a rotina. Mágico porque só existem duas pessoas, um amor que pula a janela, um silêncio lotado de tanta poesia que não cabe nada mais dentro dele. Os olhos fixos nos olhos além, além do que eu posso entender, quem me dera explicar. Mãos tão familiares, preocupações tão simples ou nulas, imagens que falam por si e por ele. São sua extensão, de dor ou felicidade. Muitas vezes quis estar lá, pra sentir o que não sinto em nenhum outro lugar do meu mundo, quis todos aquele objetos, abraçados pelo azul dos sorrisos e das risadas, pela sensação fresca de felicidade. Um dia ele não vai mais existir, mas o que o torna mágico, sabemos bem o que é.