sexta-feira, 2 de julho de 2010

O que ficou pelo caminho.

Tentei me segurar em algum lugar, e na falta de um, segurei em mim mesma, e então me perdi dele e ele se perdeu de mim. As bocas inquietas, os olhos fixos numa tarde qualquer, a mão aflita segurando tão forte que possa ter certeza que a mão do outro não vai fugir. Não sei em qual parte da história se perderam, não sei em qual 'deixa pra lá' ficaram, ou em qual olhar de reprovação ficaram presos.
Me sentir sozinha não fazia parte do plano, achar um carinho anormal é daquele plano velho, torcer por um sorriso sincero e por dias bons já foi pensado, vivido e desvivido. Me quero de volta, quero a doçura dele envolvendo a minha paz outra vez. Acho que esquecemos o azul perdido no caminho. Eu quero voltar para pegá-lo, preciso voltar. Se for pra ser assim, não quero mais ser adulta, não quero mais pensar. Me mudo pra longe e me dou bem com o mar, me mudo pra longe e me mudo das pessoas, e as pessoas se mudam de mim.
Preciso saber em que caixa as palavras bonitas foram guardadas, em que pote os suspiros estão, embaixo de qual cama os sorrisos ficaram. Não gosto de perder as coisas, muito menos me perder de mim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Torturas graveolísticas.

quando eu ouço as canções que eu fiz pra você
o tempo vem dizer
o que o tempo deve ser
o espaço em que agora o meu passo chegar
vai dizer:
- amanhã já é outro lugar

eu juro que é melhor enfim
eu juro que é melhor assim

eu já não ligo mais para você
hoje não canto
não falo, não saio, não durmo bem.
os tênues fios que me ligam a você estão hoje em prantos
e no entanto arriscamos tanto nos envolver

desligo você, nus deslizamos
pra que te esquecer
se o amor é tanto?
existo em você
por louco engano.

sábado, 5 de junho de 2010

Ela e os serás.

Ela se sente com 50 anos, a mulher rejeitada pelo marido que gosta das bonitinhas, novinhas, que combinam a calcinha (quando usam) com a cor do vestido. Ela sente que as outras são mais interessantes que ela, e devem ser mesmo, porque as melhores palavras e sorrisos são delas. Acabou o doce de leite.
Concluiu naquela terça feira que de fato as outras são melhores, e que ela é dispensável. Tão dispensável que seu coração foi deixado por ele, em meio a elogios a calcinhas e reclamações da vida a dois.
Será que ele tem os mesmos apagões de personalidade como ela? Daqueles em que atitudes são tomadas como se estivesse dormindo, ou em algum tipo de transe?! Não é possível, as pessoas são más assim, ou ela que é inocente demais? Ela deveria fazer o mesmo, pra dar o troco? Não, não é do feitio dela, é pequeno demais, ela acha essas atitudes dele pequenas demais, torce pra que não tenha asco algum dia. Mas será que já não tem? Será que já não ficou amarga demais? Será que já não ficou triste demais? Será que está acontecendo tudo de novo?
Ontem se perguntou se é imatura demais, se é boba pra vida, se não sabe lidar com as pessoas, se elas são ruins assim mesmo, se ela pode confiar neles. Viu que é boba de confiar assim nos outros, que todo mundo mente o que varia é só assunto (as vezes nem isso).
Ela não se acha acima de todos, não acha que tem razão o tempo todo, muito pelo contrário, acha que está sempre errada em alguma coisa, força do hábito, sabe como é.
Acabou criando em dias a carapaça que deveria ter criado em anos, aquela que a protege das coisas ruins da vida, que não a deixa sofrer por algumas coisas, mas ela ainda não está muito dura. E por esse motivo algumas lágrimas passam e ela ainda tem dúvidas se é melhor viver assim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cuspindo o veneno. E aprendendo a andar sozinha.

Começando com A pergunta: Porque as mulheres gostam de sofrer?
Não é só uma pergunta, só mais uma delas, é simplesmente A pergunta, que norteia nossos rolos, namoros, casamentos e quem sabe divórcios, términos e noites bem choradas.
Nós, mulheres, gostamos de sofrer, sentimos prazer em descobrir uma coisa, qualquer coisa da ex namorada, do ex rolo, da ex mulher. É uma delícia, mas completamente torturante procurarmos um vestígio da vida dele sem a gente, sentimos que não é justo, que deveríamos estar lá, porque esse momento não poderia ter acontecido sem você, ou simplesmente "quem é essa piranha do seu lado?". Sim, minha cabeça arde, meu coração palpita, o ódio se mistura com indignação de descobrir que ele também chamava a outra de 'linda' e que você, é só mais uma que se encaixa nele. Mas nós temos a péssima mania de nos acharmos únicas, insubstituíveis, as mais amadas do mundo, e o que entala na nossa garganta é descobrir que não existe príncipe e que ninguém vem buscar a gente de cavalo branco. Se não formos, nós mesmas, arrear o cavalo e galopar, ninguém o fará por nós.
As mulheres podem ter ganhado indepêndencia financeira, podem ter dois empregos, votar, usar calças, mas o que nunca vamos nos libertar é dessa mania infeliz de sofrer por livre e espontânea vontade. Infeliz porque nos faz infeliz, porque nos puxa pra um passado que nem nosso foi, que nem temos a obrigação de sofrer por ele.
Descobri que se eu não sorrir, se eu não viver, ninguém o fará por mim. Ficar sofrendo pelo que nem é da minha jurisdição não tá rolando de acontecer.
Só falta cuspir o veneno entalado na minha garganta, começar a gostar das partes boas, e parar de esperar qual será o assunto da próxima DR.
Só descobrindo que posso controlar o que penso, e que posso andar sozinha, sem muletas.
E pra terminar uma frase sábia, de alguém não menos do que isso: "Se não deu querida, sem sofrer!Feliz!"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sobre o silêncio (meu e dele)

Sempre tive uma relação estranha com o silêncio, sempre gostei da sua calma e do jeito como eu fecho os olhos quando ele acontece. Mas poucas coisas me deixam com tanto medo quanto o silêncio.
Silêncio bom é silêncio que se explica, que venta sozinho, que fala no seu ouvido, que te embala na sua doçura. Sempre achei que as coisas boas eram as silenciosas, ou no máximo as sussuradas.
Aquele silêncio nervoso, calado, sem se auto explicar, me dói. Me incomoda, me acua, me deixa curiosa, mas com aquela curiosidade que não se quer descobrir. O silêncio negado é pior, não falar, não olhar, não respirar. Me mate de uma vez. Dói menos.
O silêncio dele faz em mim o que eu mais odeio. Barulho. E dos piores, de cadeira chutada, de garrafa quebrada, de carro batido, de panela caída, de prato de louça. É como se todos eles acontecessem de uma só vez, e se quebrassem bem dentro de mim, no lugar que mais me dói, e daí todos eles ficam presos na garganta como um bolo de lixo. E me incomodam por horas, talvez dias.
Não gosto de barulhos, de gritos, de batidas, de estardalhaços. Gosto do vento que o silêncio me traz, como se trouxesse um pouco de vida soprada suave em mim. Ele me traz silêncio, mas não gosto do seu próprio para mim.
Quero aquele silêncio doce outra vez.

terça-feira, 9 de março de 2010

Eles não existem.

Não perdôo minha mãe por ter me comprado de aniversário o maldito filme da Cinderela com o imbecil do príncipe encantado. Deveria haver uma punição para mães que fazem isso com suas filhas, é uma ilusão que só tende a crescer ao longo da vida. E ferrar com a vida das pobres meninas inocentes.

Depois de pensar muito, concluí que todas as aflições amorosas femininas são por causa dos filmes malditos com os príncipes imbecis.

Quando a menina tem seu primeiro namorado, têm absoluta certeza que é o homem da sua vida, que ele vai te trazer flores todos os dias, dizer que te ama, pegar na sua mão na frente de suas amigas e jurar que o amor de vocês é eterno. É só o que ela quer.

Mas ele, o seu namoradinho, só vai se esforçar para ser o mais imbecil que ele possa, não vai pegar na sua mão na frente das suas amigas, não vai dizer que te ama a não ser que diga tão baixo que você custe a ouvir e não vai te dar flores, ele só quer contar pros amigos coisas que só nós, meninas, contamos para aquele diário de cadeado de plástico.

E quando a mãe diz que não sabemos nada sobre a vida, que esse namoro não tem cabimento, que o namorado é um idiota, nós choramos, desejamos a morte da mãe e temos certeza que sabemos o que é a vida.

Quando terminamos com o pequeno imbecil, pensamos como tivemos a audácia de namorar com "aquilo", e que chicotadas doeriam menos do que sua consciência naquele momento. Faz parte.


Mas continuamos acreditando no príncipe encantado. Maldito.


No segundo namorado, quando afinal, sabemos beeemmm mais sobre a vida, os desejos ganham contornos mais sofisticados. Só precisamos de um único elogio pra começar a fantasiar sobre a vida eternamente feliz. Bobinhas.

Dói quando descobrimos que não vai ser perfeito a vida toda. E dói muito. Porque toda mulher sonha em ter o príncipe encantado, que te carregue no colo, que te mande torpedos apaixonados, que te deseje todos os minutos do dia, que não pense em outra mulher que não seja você. Queremos paixões arrebatadoras, queremos amor em todas as delícias que essa palavra possa ter, queremos que todos os dias sejam diferentemente apaixonados. Achamos pouco quando as mães dizem "Só precisamos de um companheiro". Companheiro nada! Queremos é morrer de amor todos os dias. Bobinhas (outra vez).


Quem deseja pouco, vive pouco. Descobrir que os seus desejos não vão se tornar realidade não mata, só dói. Daí chore, até desidratar, na maioria das vezes resolve.


Não existem dias perfeitos, mas não nego que dias felizes existam. Não existe vida perfeita, mas existem momentos extremamente felizes. Se não nos segurarmos meninas, caímos no poço da desilusão e ficaremos como Camélias, Joanas e Marias, dançando desiludidas.


E se nada resolver, a gente processa a Disney.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ele.

Tudo fazia parte: seus cigarros, seus óculos escuros e a bateria imaginária tocada nas escadas às 7 da manhã.
E o mistério que me deixava intrigada.
Certa vez perguntei de seus óculos, respondeu com uma piadinha.
Noutra ele perguntou sobre Clarice, respondi com coração apertado.

E sumiu.

Depois, seu bigode engraçado me fez vê-lo de novo. Ficou estranhamente feliz, nunca tinha o visto assim antes.

Eu existindo.
E engolindo felicidade, guardei a informação.

Fui feliz naquele sábado.
A aposta me garantiu um beijo na frente da família.
A promessa de uma banda me deu promessas de felicidade azul.
Eu era dele antes que eu pudesse perceber.
Meus olhos eram dele.
Minha poesia era dele.
As circunstâncias não me levaram a ser dele, eu escolhi. Eu quis, como se precisasse respirar seu azul.
Ele me amava, me respeitava com aqueles olhos lindos.
Chorar de felicidade é maravilhoso.
E ver que é tudo verdade dá medo.
Mas tive poucos medos, quase nenhuma dúvida, milhares de sorrisos.

"Olá namorada".

Não precisaríamos de definições, era muito grande para caber dentro de uma.
É muito grande para caber dentro da gente.
É delicado.
É nosso e de mais ninguém.
Pernambuco, cortinas brancas, Blues, fotografias, ovos mexidos, suco de laranja, uma moto, o fusquinha, Francisco e nada mais.
Ninguém me tira isso.
Ele me faz mulher.

E a mais feliz desse mundo.