sábado, 7 de maio de 2011

minúsculo.

Em que nada é esperado, desejado, assumido, a carta de criatividade ascende como qualquer outra luz tão amarela quanto a minha alma encharcada de alguma coisa não-tão-podre-mais, misturada a algo que não quero entender, no olho do furacão de encantamento numa vida que sempre quis ter ou materializada em alguma perspectiva de felicidade muda em qualquer canto de mim. tão desconexas quanto um ponto final num pensamento contínuo de irracionalidade de mim. Os pontos finais são tão opressores quanto qualquer coisa mais estúpida desse mundo que faço parte por conveniência ou poesia. os além-ponto se mandam minúsculos, não entendem a racionalidade do maiúsculo e todo seu poder nunca provado. afirmar-se minúsculo é forma de sobrevivência, a você mesmo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desses que eu preciso escrever.

Hoje eu precisava ver o mar, tão grande quanto qualquer coisa que mora hoje em mim. A tristeza e a felicidade se misturam num ritmo que não consigo acompanhar, talvez nem queira. Soltei os braços, as pernas, fechei os olhos e deixei que o vento me levasse, as vezes me sopra pro pior dos lugares, as vezes pro melhor deles, outras pro melhor dos meus sonhos, outras pro meu vazio agudo e acima de tudo, tristíssimo. Talvez seja isso que me falte, que sempre me faltou, deixar com que a vida vá sem que eu tenha que meter. O sopro da velha vida azul e confortável me sopra com ares tão tristes como nunca pensei que poderiam ser, a mesma sintonia, o velho machucado. Hoje me entendo com a dor do tamanho do mar, amanhã com o mar, do tamanho de mim.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aquele depois dos 21.

Quis todas elas amarradas por um laço por tantos anos, por todos dias, por cada sorriso, pelo amor inteiro. Quis todas elas talvez para que eu pudesse olhá-las e tentar me igualar, pela delicadeza que sempre invejei, pela pequena, mas sublime duração de seus dias. Pelo colorido, pelo abre-fecha de pétalas, pelo alimento, pela sutileza do presente. Vieram. Lindas, porém tarde. A tristeza por terem chegado tão tarde se igualou ao quanto eram bonitas, a dor de olhar se parece com a dor de reler meus antigos rascunhos, o lugar que fica é equivalente àquele que é ocupado no meu coração. Não as querer é pecado, não as sentir é consequência e direito de quem ganha. Ainda assim não me pediu pra ficar. Agora o vento é meu.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Aquele do presente de aniversário.

A um dia dos 21 a aflição me pegou no caminho do corredor. Não é medo de ficar velha - nenhuma neura pré-aniversário - talvez medo de ficar sozinha. A insegurança sempre foi o sentimento mais perto de mim durante toda a minha vida, ainda tô aprendendo como é esse negócio de dizer não e manter meus sim's. Insegurança talvez por duvidar que eu consiga me sentir realmente amada outra vez, o amor desacostumou minha rotina. Preciso reaprender a viver sozinha, preciso desaprender a esperar amor, reaprender a só sentir. Me convenço todos os dias que a vida é maior do que o pedaço que falta em mim, me obrigo a sentir qualquer brisa de vida que me assopra, reproduzo a voz de Caio milhares de vezes na minha cabeça "deixa, deixa passar..', espero aquele avião como quem espera liberdade. Que os 21 não altere minha capacidade de convencer a mim mesma, é o meu presente de aniversário, de mim pra mim.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aquele em que eu rezei.

"E eu rezei. Sabe? Tipo, pra Deus." Pensar em Julia Roberts num dos piores momentos da minha vida, não foi cômico por ser tão trágico. E eu também rezei, sabe, pra Deus. Uma relação difícil durante toda a vida, um assunto não muito comentado, uma fé rala, a crença diluída nas rodas de conversa. Achei que Deus poderia entender minha angústia e incapacidade diante daquela dor tão latente. Não sabia como começar, como pedir, como acreditar. Mas pedi com o resto da força que me sobrou, em voz alta, arrastada, envergonhada pela ausência de tantos anos. Pensei tanto naquela meia luz de Formiga, quinta-feira, meu coração costumava ficar em paz. Tentei a paz de novo, ajoelhada, diante de uma janela com grades tão longe do céu, sucumbida pela fragilidade do ser humano, e chorei, como se não pudesse fazer mais nada.

Aquele da perda do resto.

Hoje, sem querer, numa violência impensada e confusa, apaguei meus rascunhos do celular. Em meio a nomes científicos de borboletas, citações de Jabor, Clarice e lapsos de auto-tortura. "Escreva sobre isso" era o que eu conseguia ouvir, era só o que queria fazer. Perdi. Muita coisa. Meu amor,pra sempre. Meu endereço, por 3 dias na semana. Meu nome, pra mim. Minha delicadeza, pro mundo. O que é perder rascunhos de uma vida embaraçada num telefone? Preferi perder um braço naquele momento de tudo vazio, eu, o maldito telefone e tudo que conseguia enxergar, olhei pro prédio em que fui feliz durante tantos meses, pra praça que me tem amor e ódio, pra avenida cinza, pra amiga consolada, pra mim conformada, e conformei. Rascunhos me doem como nunca imaginei, me fazem ver alguém que não conheci, porque era incompleto, frases únicas me assustam, as aspas de Clarice - sempre a minha direita e à minha esquerda - me fazem mais humana. Aprendi que as coisas passam, aceitei que passam, vi que passam, tentei pegar mais uma vez e não pude, não cabiam no meu colo. Só carrego o que posso levar. A mesma lição. O mesmo escorrer de mãos, de vida, mas o sopro renitente de vida ainda me assopra. Finjo que entendo qual o motivo da insistência de vida frágil sussurrada no meu ouvido.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aquele pequeno.

Em todas as minhas leituras de hoje, achei Caio. Com sua tristeza lá no fundo, quietinha, esperando a mão de felicidade se estender pra olhar sereno pra ela e levantar como pluma do canto que já se despediu sem mágoas. Pensei que me afastar dos meus dias Clarice seria mais dolorido, mas cair em dias cada vez mais Caio me salvam da rotina dos meus pensamentos, me aguento com os comigos de mim. Dias mais serenos, menos doloridos, menos assustadores, com mais inspirações. E expirações.